terça-feira, 20 de janeiro de 2015

"Os grandes seres humanos devem considerar os instintos, refletir e não agir de acordo com eles.

***
- Formal demais isso, e, não sei, enfadonho. Parece que ele tem amnésia emocional. [...] Acho que você tem que aceitar que o MC que você conhecia não existe mais. Fui testemunha do quanto ele a amou. Tenho as fotos. Tenho as cartas que ele mandou sobre você. Tenho os poemas. Este não é o MC que conheci. Não reconheço esta pessoa. Emma... ele trocou de pele.

***
O tempo cura todas as feridas. E se não cura, você as chama de outra coisa e concorda em deixar que elas fiquem.

***
Pra dr. R., a vida era cheia de alegria no presente e esperança no futuro. Mas ele não era ingênuo. Era um realista que encarava os fatos e um cético mergulhado em conjecturas. Sua confiança no futuro originava-se de uma firme crença de que era preciso esforço para transformar a esperança em realidade.

***
A vida é inútil [...] Ninguém sai vivo dela. Só o amor existe.

***
A revelação não é que eu os perdi, mas que eu os tive."



(FORREST, Emma. Sua voz dentro de mim. Rio de Janeiro: Rocco, 2013. 189 p.)

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

"Nó no estômago
Sede de cigarro
Logo lembra que não fuma
___________________

Gargalha sem pudor
Constrange tudo ao redor
Dentes nus.
___________________

Investiga a impermanência
Como quem procura
Um pouco de chão
___________________

O fim não precisa ser grave
Todo fim já é parte.
Do começo do todo afinal."



PÉRET, Flávia; ALCÂNTARA, Luiza; BARONE, MIla (Orgs.). Escrita Infinita. Oi Kabum: Belo Horizonte, 2014.

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Bilhete - Ivan Lins


Quebrei o teu prato, tranquei o meu quarto
Bebi teu licor
Arrumei a sala, já fiz tua mala
Pus no corredor.

Eu limpei minha vida, te tirei do meu corpo
Te tirei das entranhas
Fiz um tipo de aborto
E por fim nosso caso acabou, está morto.

Jogue a cópia da chave por debaixo da porta
Que é pra não ter motivo
De pensar numa voltar
Fique junto dos teus
Boa sorte, adeus.



Fonte: http://letras.mus.br/ivan-lins/46431/

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Your pale blue eyes – The velvet underground

(Olhos azul claro)


Às vezes sinto-me tão feliz
Às vezes sinto-me tão triste
Às vezes sinto-me tão feliz
Mas na maioria das vezes você me enlouquece
Garota, você me deixa louco
Prolongue seus olhos azuis claro
Prolongue seus olhos azuis claro

Imagino-te como o topo de minha montanha
Imagino-te como meu cume
Imagino-te como tudo
O que eu tinha, mas não consegui manter
O que eu tinha, mas não consegui manter
Prolongue seus olhos azuis claro
Prolongue seus olhos azuis claro

Se pudesse tornar o mundo tão puro e estranho como eu o imagino
Eu a colocaria no espelho à minha frente
Eu a colocaria em frente à mim
Prolongue seus olhos azuis claro
Prolongue seus olhos azuis claro

Omitir toda uma vida, vertê-la em uma taça
Ela disse que na hora certa somos como dinheiro
Trocamo-nos, mas não conseguimos suportar
Tristeza para você é alegria
Prolongue seus olhos azuis claro
Prolongue seus olhos azuis claro

Foi tão bom o que fizemos ontem
E eu gostaria de repetir
O fato de você ser casada
Apenas prova que você é minha melhor amiga
Mas é com certeza, com certeza, um pecado
Prolongue seus olhos azuis claro
Prolongue seus olhos azuis claro




segunda-feira, 22 de setembro de 2014


Eu não tenho um barco, disse a árvore - Cicero


Deixa pra depois
O que já não precisa esperar
E tudo que não deu pra consertar
Por culpa do depois

Não tem jeito não
A gente sempre espera piorar
A gente sempre deixa de cuidar
Do que já tem na mão

Mas é sem querer
Sem querer

Então, taí
Nosso refrão
Taí

Deixa pra depois
O que já não precisa mais deixar
Mudando as mesmas coisas de lugar

A certa coisa certa a se fazer
E diz que só queria descansar
De quem a gente mesmo escolheu ser
Sem querer
É sempre sem querer

Então, taí
Nosso refrão
Taí
Sem graça
Então, taí
Pois então
Taí



sábado, 2 de agosto de 2014

Metade - Oswaldo Montenegro


Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
A outra metade é silêncio

Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Pois metade de mim é partida
A outra metade é saudade

Que as palavras que falo
Não sejam ouvidas como prece nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas como a única coisa
Que resta a um homem inundado de sentimentos
Pois metade de mim é o que ouço
A outra metade é o que calo

Que a minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que mereço
Que a tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que penso
A outra metade um vulcão

Que o medo da solidão se afaste
E o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável
Que o espelho reflita meu rosto num doce sorriso
Que me lembro ter dado na infância
Pois metade de mim é a lembrança do que fui
A outra metade não sei

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o seu silêncio me fale cada vez mais
Pois metade de mim é abrigo
A outra metade é cansaço

Que a arte me aponte uma resposta
Mesmo que ela mesma não saiba
E que ninguém a tente complicar
Pois é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Pois metade de mim é plateia
A outra metade é canção
Que a minha loucura seja perdoada
Pois metade de mim é amor

E a outra metade também


Fonte: http://letras.mus.br/oswaldo-montenegro/72954/
Retrato – Cecília Meireles


Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio amargo.

Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração
que nem se mostra.

Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
- Em que espelho ficou perdida

a minha face?


Fonte: http://www.casadobruxo.com.br/poesia/c/retrato.htm