sexta-feira, 19 de novembro de 2010


A Lenda da Flor de Lótus


Certo dia, à margem de um tranqüilo lago solitário, a cuja margem se erguiam frondosas árvores com perfumosas flores de mil cores, e coalhadas de ninhos onde aves canoras chilreavam, encontraram-se quatro elementos irmãos: o fogo, o ar, a água e a terra. - Quanto tempo sem nos vermos em nossa nudez primitiva - disse o fogo cheio de entusiasmo, como é de sua natureza. É verdade - disse o ar. - É um destino bem curioso o nosso. À custa de tanto nos prestarmos para construir formas e mais formas, tornamo-nos escravos de nossa obra e perdemos nossa liberdade. - Não te queixes - disse a água -, pois estamos obedecendo à Lei, e é um Divino Prazer servir à Criação. Por outro lado, não perdemos nossa liberdade; tu corres de um lado para outro, à tua vontade; o irmão fogo, entra e sai por toda parte servindo a vida e a morte. Eu faço o mesmo. - Em todo o caso, sou eu quem deveria me queixar - disse a terra - pois estou sempre imóvel, e mesmo sem minha vontade, dou voltas e mais voltas, sem descansar no mesmo espaço. - Não entristeçais minha felicidade ao ver-nos - tornou a dizer o fogo - com discussões supérfluas. É melhor festejarmos estes momentos em que nos encontrarmos fora da forma. Regozijemo-nos à sombra destas árvores e à margem deste lago formado pela nossa união. Todos o aplaudiram e se entregaram ao mais feliz companheirismo. Cada um contou o que havia feito durante sua longa ausência, as maravilhas que tinham construído e destruído. Cada um se orgulhou de se haver prestado para que a Vida se manifestasse através de formas sempre mais belas e mais perfeitas. E mais se regozijaram, pensando na multidão de vezes que se uniram fragmentariamente para o seu trabalho. Em meio de tão grande alegria, existia uma nuvem: o homem. Ah! como ele era ingrato. Haviam-no construído com seus mais perfeitos e puros materiais, e o homem abusava deles, perdendo-os. Tiveram desejo de retirar sua cooperação e privá-lo de realizar suas experiências no plano físico. Porém a nuvem dissipou-se e a alegria voltou a reinar entre os quatro irmãos. Aproximando-se o momento de se separarem, pensaram em deixar uma recordação que perpetuasse através das idades a felicidade de seu encontro. Resolveram criar alguma coisa especial que, composta de fragmentos de cada um deles harmonicamente combinados, fosse também a expressão de suas diferenças e independência, e servisse de símbolo e exemplo para o homem. Houve muitos projetos que foram abandonados por serem incompletos e insuficientes. Por fim, refletindo-se no lago, os quatro disseram: - E se construíssemos uma planta cujas raízes estivessem no fundo do lago, a haste na água e as folhas e flores fora dela? - A idéia pareceu digna de experiência. Eu porei as melhores forças de minhas entranhas - disse a terra - e alimentarei suas raízes. - Eu porei as melhores linfas de meus seios - disse a água - e farei crescer sua haste. - Eu porei minhas melhores brisas - disse o ar - e tonificarei a planta. - Eu porei todo o rneu calor - disse o fogo - para dar às suas corolas as mais formosas cores. Dito e feito. Os quatro irmãos começaram a sua obra. Fibra sobre fibra foram construídas as raízes, a haste, as folhas e as flores. O sol abençoou-a e a planta deu entrada na flora regional, saudada como rainha. Quando os quatro elementos se separaram, a Flor de Lótus brilhava no lago em sua beleza imaculada, e servia para o homem como símbolo da pureza e perfeição humana. Consultaram-se os astros, e foi fixada a data de 8 de maio - quando a Terra está sob a influência da Constelação de Taurus, símbolo do Poder Criador - para a comemoração que desde épocas remotas se tem perpetuado através das idades. Foi espalhada esta comemoração por todos os países do Ocidente, e, em 1948, o dia 8 de Maio se tomou também o "Dia da Paz".


Fonte: http://www.viacapella.com.br/portal/lotus.htm


Aos Filhos de Áries
Oswaldo Montenegro


Áries, o primeiro signo, do carneiro apaixonado
Tem em Marte seu designo e no fogo seu reinado
Nas estrelas seu delírio, seu amor enciumado
Nos limites, seu martírio, seu mistério revelado.

Louco signo das correntes e emoções arrebatadas
Ariana dos repentes e explosões descontroladas
Ariana, como o fogo, nunca será dominada
Decisiva como o jogo e a primeira namorada.

Signo da sinceridade, da vermelha cor do dia
Signo da velocidade, da impulsão e eu nem sabia
Que era tanta madrugada a derramar no coração
Como a rosa serenada, se transforma e pinga ao chão
Derretendo ao fogo da paixão.


Fonte: http://letras.terra.com.br/oswaldo-montenegro/47870/

Tuatha de Dannan – The Last Words

(As Últimas Palavras)

Vendo esta terrível cena, eu estou
Despedaçando, com o medo, o silencio do rei
Meus olhos vêem desgraça em todo lugar
Não há um jeito de retornar, nada a ser feito.

Caro Amigo
Como eu disse
Faça tudo
Se você tiver
Me amado,
Por favor limpe meu nome.

Talvez a verdade reinará nessas terras
Talvez algum dia eu deva viver de novo
O veneno esta vencendo minha vida
E a noite vem chegando a meus olhos
Nada novo da Inglaterra eu irei ouvir.

Sim, eu acredito que Fortinbrás deva vencer as eleições,
Explique a situação e limpe meu nome
O resto... é silêncio.


A Metafísica do Corpo
Carlos Drummond de Andrade


A metafísica do corpo se entremostra
nas imagens. A alma do corpo
modula em cada fragmento de música
de esferas e de essências
além da simples carne e simples unhas.


Em cada silêncio do corpo identifica-se
a linha do sentido universal
que à forma breve e transitiva imprime
a solene marca dos deuses
e do sonho.


Entre folhas, surpreende-se
na última ninfa
o que na mulher ainda é ramo e orvalho
e, mais que natureza, pensamento
da unidade inicial do mundo:
mulher planta brisa mar,
o ser telúrico espontâneo,
como se um galho fosse da infinita
árvore que condensa
o mel, o sol, o sal, o sopro acre da vida.


De êxtase e tremor banha-se a vista
ante a luminosa nádega opalescente,
a coxa, o sacro ventre, prometido
ao ofício de existir, e tudo mais que o corpo
resume de outra vida, mais florescente,
em que todos fomos terra, seiva e amor.


Eis que se revela o ser, na transparência
do invólucro perfeito.


Fonte: http://valisedecronnopio.blogspot.com/2008/06/metafsica-do-corpo.html

Carolina - Chico Buarque
Composição: Chico Buarque


Carolina, nos seus olhos fundos guarda tanta dor, a dor de todo esse mundo
Eu já lhe expliquei, que não vai dar, seu pranto não vai nada ajudar
Eu já convidei para dançar, é hora, já sei, de aproveitar

Lá fora, amor, uma rosa nasceu, todo mundo sambou, uma estrela caiu
Eu bem que mostrei sorrindo, pela janela, ah que lindo
Mas Carolina não viu...
Carolina, nos seus olhos tristes, guarda tanto amor, o amor que já não existe,
Eu bem que avisei, vai acabar, de tudo lhe dei para aceitar
Mil versos cantei pra lhe agradar, agora não sei como explicar

Lá fora, amor, uma rosa morreu, uma festa acabou, nosso barco partiu
Eu bem que mostrei a ela, o tempo passou na janela e só Carolina não viu.



Shaman - Innocence

(Inocência)


Eu acordei hoje
Dentro de um trem de sonhos
A chuva cai em preto e branco
Fiquei e encarei
O resto do que sobrou
Meu próprio mundo desmoronando.

Eu contive minhas lágrimas
Um dia vem depois do outro.

A chuva caindo
Acariciou minha pele novamente
Deixe-a cair para lavar
O tempo que passou
Um sentimento a tempo negado
Meu coração não está mais atado a dor.

E agora está claro
Um dia leva a outro
Eu seco minhas lágrimas
Existe muito mais para descobrir em
Outro lugar...

Eu ouço o som
De milhares de vozes
Eu perdi minha inocência
Eu estou no meu caminho
Através do deserto
Para resgatar o que eu enviei
Fora do meu coração e caminho.

Agora está claro
Um dia leva a outro
Nós enfrentaremos nossos medos
E iremos achar o caminho para nos encontrarmos.

Eu ouço o som
De milhares de vozes
Eu perdi minha inocência
Eu estou no meu caminho
Através o deserto
Para resgatar o que eu enviei
Fora do meu coração...