segunda-feira, 16 de março de 2015

"Enquanto os ponteiros do relógio se aproximavam das 18 h, ele sorria um riso triste e pensava que o desamor é extremamente civilizado. 
Só quem não sente mais paixão oferece a uma rival uma xícara de café ou chá. Quem ainda ama, pode até oferecer, mas acompanhada da pergunta: "Com arsênico ou adoçante?"
O chá havia sido o último teste, a prova final que ele precisava ter, só por alívio de consciência já que, sinceramente, ele sabia que para ela não seria problema algum vê-lo com outra.
Às 18 h em ponto, ele levantou do sofá, pegou um papel que estava em cima da mesa e partiu sozinho para a casa da ex-mulher.
Agora sim, poderia lhe entregar o papel do divórcio (que há dias estava pronto), e quem sabe tomarem juntos uma xícara de chá..."


ALENCAR, Vanessa. Chá para três. In.: Por que amamos insanos?: contos sobre relacionamentos. Catavento: Maceió, São Paulo, 2000. 62 p.

domingo, 15 de março de 2015

- Queria que você estivesse aqui comigo. Queria poder te abraçar. Queria poder te tocar.
- Como você me tocaria?
- Eu tocaria o seu rosto. Só com a ponta dos dedos. Colocaria a minha bochecha colada com a sua.
- Isso é legal.
- Eu te tocaria suavemente.
- Você me beijaria?
- Beijaria. Pegaria seu rosto com minhas mãos. Eu beijaria o canto da sua boca. Bem de leve.
- Onde mais?
- Eu passaria meus dedos pelo seu pescoço.
- Continue.
- No seu peito. E beijaria seus seios.
- Isso é incrível. O que você está fazendo comigo? Consigo sentir a minha pele.
- Eu te provaria. Eu queria poder te tocar.
- Eu consigo te sentir. Meu Deus, eu não aguento. Quero que você me encontre.
- Devagar, iria me colocar dentro de você. Estou dentro de você.
- Eu posso sentir.
- Estamos juntos.
- Isso é incrível, eu sinto você em todo lugar.
- Eu sinto você dentro de mim, em todo lugar.

- Eu estava em outro lugar com você. Perdido. Só você e eu.
- Eu sei. Todo o resto desapareceu. Eu adorei.  


(Filme: Her)

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

"Os grandes seres humanos devem considerar os instintos, refletir e não agir de acordo com eles.

***
- Formal demais isso, e, não sei, enfadonho. Parece que ele tem amnésia emocional. [...] Acho que você tem que aceitar que o MC que você conhecia não existe mais. Fui testemunha do quanto ele a amou. Tenho as fotos. Tenho as cartas que ele mandou sobre você. Tenho os poemas. Este não é o MC que conheci. Não reconheço esta pessoa. Emma... ele trocou de pele.

***
O tempo cura todas as feridas. E se não cura, você as chama de outra coisa e concorda em deixar que elas fiquem.

***
Pra dr. R., a vida era cheia de alegria no presente e esperança no futuro. Mas ele não era ingênuo. Era um realista que encarava os fatos e um cético mergulhado em conjecturas. Sua confiança no futuro originava-se de uma firme crença de que era preciso esforço para transformar a esperança em realidade.

***
A vida é inútil [...] Ninguém sai vivo dela. Só o amor existe.

***
A revelação não é que eu os perdi, mas que eu os tive."



(FORREST, Emma. Sua voz dentro de mim. Rio de Janeiro: Rocco, 2013. 189 p.)

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

"Nó no estômago
Sede de cigarro
Logo lembra que não fuma
___________________

Gargalha sem pudor
Constrange tudo ao redor
Dentes nus.
___________________

Investiga a impermanência
Como quem procura
Um pouco de chão
___________________

O fim não precisa ser grave
Todo fim já é parte.
Do começo do todo afinal."



PÉRET, Flávia; ALCÂNTARA, Luiza; BARONE, MIla (Orgs.). Escrita Infinita. Oi Kabum: Belo Horizonte, 2014.

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Bilhete - Ivan Lins


Quebrei o teu prato, tranquei o meu quarto
Bebi teu licor
Arrumei a sala, já fiz tua mala
Pus no corredor.

Eu limpei minha vida, te tirei do meu corpo
Te tirei das entranhas
Fiz um tipo de aborto
E por fim nosso caso acabou, está morto.

Jogue a cópia da chave por debaixo da porta
Que é pra não ter motivo
De pensar numa voltar
Fique junto dos teus
Boa sorte, adeus.



Fonte: http://letras.mus.br/ivan-lins/46431/

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Your pale blue eyes – The velvet underground

(Olhos azul claro)


Às vezes sinto-me tão feliz
Às vezes sinto-me tão triste
Às vezes sinto-me tão feliz
Mas na maioria das vezes você me enlouquece
Garota, você me deixa louco
Prolongue seus olhos azuis claro
Prolongue seus olhos azuis claro

Imagino-te como o topo de minha montanha
Imagino-te como meu cume
Imagino-te como tudo
O que eu tinha, mas não consegui manter
O que eu tinha, mas não consegui manter
Prolongue seus olhos azuis claro
Prolongue seus olhos azuis claro

Se pudesse tornar o mundo tão puro e estranho como eu o imagino
Eu a colocaria no espelho à minha frente
Eu a colocaria em frente à mim
Prolongue seus olhos azuis claro
Prolongue seus olhos azuis claro

Omitir toda uma vida, vertê-la em uma taça
Ela disse que na hora certa somos como dinheiro
Trocamo-nos, mas não conseguimos suportar
Tristeza para você é alegria
Prolongue seus olhos azuis claro
Prolongue seus olhos azuis claro

Foi tão bom o que fizemos ontem
E eu gostaria de repetir
O fato de você ser casada
Apenas prova que você é minha melhor amiga
Mas é com certeza, com certeza, um pecado
Prolongue seus olhos azuis claro
Prolongue seus olhos azuis claro




segunda-feira, 22 de setembro de 2014


Eu não tenho um barco, disse a árvore - Cicero


Deixa pra depois
O que já não precisa esperar
E tudo que não deu pra consertar
Por culpa do depois

Não tem jeito não
A gente sempre espera piorar
A gente sempre deixa de cuidar
Do que já tem na mão

Mas é sem querer
Sem querer

Então, taí
Nosso refrão
Taí

Deixa pra depois
O que já não precisa mais deixar
Mudando as mesmas coisas de lugar

A certa coisa certa a se fazer
E diz que só queria descansar
De quem a gente mesmo escolheu ser
Sem querer
É sempre sem querer

Então, taí
Nosso refrão
Taí
Sem graça
Então, taí
Pois então
Taí